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sábado, 14 de maio de 2011

Longo - Colina por marciagchagas no Garmin Connect - Detalhes

Longo - Colina por marciagchagas no Garmin Connect - Detalhes
Finalmente, depois de um período de 5 meses de recuperação de lesão grave (fratura na fíbula), estou novamente correndo... A capacidade de recuperação do corpo humano é incrível - basta que observemos as recomendações dos médicos ortopedistas, fisioterapeutas, e aplicações de hekkat(*) também... Demais!
(*) para saber mais sobre isto - visitar o site www.institutohelion.org.br

terça-feira, 10 de maio de 2011

Correntes na Internet


Não sou muito adepta das correntes via internet, mas nesta semana recebi uma que achei muito, muito simpática e ainda por cima, saborosa.

É a corrente de receitas = você escolhe 20 amigas e pede que mandem uma receita prática e bem gostosa, daquele tipo que se faz “de cabeça”, rapidinha e que agrada a todos...

Sou péssima na cozinha, só consigo fazer doces, mas adoro receitas... É como se num dia qualquer, de uma hora prá outra, eu pudesse me tornar uma grande cozinheira e transformar aquelas notas escritas em papel em delícias para os meus queridos! Mesmo assim, arrumei uma receita de um doce bem fácil e enviei, passando a tarefa prá 20 amigas minhas...

Mal mandei a minha receita e já estou recebendo algumas... E a primeira foi justo “Arroz de Bacalhau”, ah... adoro arroz de bacalhau. Minha amiga veio aqui, há um tempo atrás, a “Baixinha”, e fez um delicioso arroz de bacalhau com batatas ao murro. Consegui aprender a fazer as batatas ao murro, porém, quanto ao arroz de bacalhau... bem, um dia chego lá!!!!   

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Porquês do Blog II - Vovô Tonico

Os Porquês do blog II - Vovô Tonico


Este é outro antepassado de quem gostaria de falar... Mais uma vez, são as impressões de uma netinha... Pode ser que meus irmãos e primos discordem, mas este foi o Vovô Tonico que conheci. Pai de minha mãe, nascido Antonio Caetano da Silva Guimarães Júnior, vovô Tonico era um poeta... Dentista por formação, funcionário público por conveniência (estudou odontologia prá satisfazer vontade de seus pais), ornitólogo por diletantismo, especializado em sabiás, e poeta.

Vovô Tonico andava sempre de terno, mais claro no verão, mais escuro no inverno. Vivia em Dores do Indaiá, MG, sua terra natal onde, junto com minha adorada avó Maria Rita teve quatorze filhos, entre eles minha mãe. Não me lembro de vê-lo trabalhando, já era aposentado quando vim ao mundo. Andava pela cidade, e andava muito, sempre encontrando amigos e papeando... Na sua casa com minha avó havia um “barracão” (que vim a conhecer depois como sendo uma edícula) onde acomodava suas gaiolas de sabiás e sua coleção de ovos. Ovos? Sim, vovô tinha uma coleção de ovos de muitos e muitos pássaros, de todo o mundo, minha mãe diz... Lembro de vê-las de relance quando ele abria o barracão, podia olhar de longe, mas jamais me aproximar (imaginem eu, mais irmãs e um bando de primos entrando ali? Jamais!!! ). Sei que uma vez tentou doá-las para museus brasileiros, tentou até o Museu do Ipiranga, em S.Paulo, mas nunca houve real interesse. Parece que hoje esta coleção está em poder de um primo de meu avô...

Seus sabiás... não me lembro quantos deles vi nas gaiolas de meu avô, eram muitos. Vez por outra seu terno estava “batizado” pelos excrementos dos bichinhos... E nós, os netos,  já estávamos “craques” em passar perto das gaiolas, evitando as pontarias certeiras dos sabiás. Hoje eu teria tremendas discussões com meu avô, estivesse ele vivo, porque não posso aceitar pássaros em gaiolas!


Vovô também era poeta, e escreveu um grande poema prá sua terra... Mais de mil quadrinhas, ele dizia... e eu lá ficava imaginando... mil quadrinhas? Puxa, mil é muita coisa! Pois é, escreveu um poema de mais de mil quadrinhas sobre sua terra, Dores do Indaiá. Quando íamos visitá-lo, nas férias escolares, ele costumava recitar alguns de seus versos, e eu adorava ouvi-lo. Este que vou citar sei de cor:

“Lá no pasto do Cintinho,

muita poesia havia,

orquestra de passarinhos,

água limpinha corria.”

Era só meu avô me recitar esta quadrinha que eu corria a beber água, porque dizia prá ele que falava de uma água tão limpinha que me fazia ficar com sede!



Cada neto seu que nascesse também ganhava uma quadrinha... A minha era:


“Deixaste com teus avós

tua carinha mimosa,

olhem bem: que formosura,

mais parecendo uma rosa! “


Lembro-me de vê-lo folheando seus manuscritos: folhas, folhas e mais folhas... Molhava o dedo indicador com a língua para passá-las mais facilmente, e recitava, recitava, recitava. Meu pai também ficava a ouvi-lo, junto comigo e minhas irmãs... Acho que meu pai, como eu, era grande admirador dos versos do vô Tonico, que vivia na “peleja”, tentando publicá-las em livro. Sei que levou bastante tempo, mas afinal, em 1970, conseguiu a publicação de suas quadrinhas, não de todas elas, mas uma seleção, pela Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais. Dois ou três anos depois meu avô faleceria. Seu livro se chama “Paisagens de Nossa Terra”, e sua capa é a imagem de hoje deste blog.


Vovô Tonico também vivia a nos cantar os cantos do Reisado (Folias de Reis), dançando os pontos das congadas... Sempre lamentava não estarmos presentes quando estas festas ocorriam. Verdadeira festa era prá mim e minha irmã Angela, caipiras urbanas, quando íamos prá Dores. Adorávamos andar livres por toda a cidade que, naquela época, se constituía em duas ou três avenidas paralelas cortadas por um par de dúzias de ruas... Duas ou três igrejas, cemitério, duas ou três escolas... Perambular pela cidade era o paraíso, já que o único perigo que poderíamos correr seria tropeçar e cair, ou cair da “ximbica” (camionete) de um conhecido que, sempre quando a víamos a passar, pedíamos carona e pulávamos na caçamba... Em nossas andanças sempre encontrávamos nosso avô, ou caminhando, ou sentado no banco da rodoviária com o tio Joãozinho, e  outro amigo. Que será que tanto eles conversam? Pensava eu...


Hoje sei que deveriam ter muita, muita coisa prá falar...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Os Porquês do Blog I - Vovó Cocota

Os porquês do blog 1


Nossa geração dispõe de uma grande vantagem perante a de nossos pais, avós e toda nossa linha de ancestrais: qualquer pessoa comunzinha como eu, com uma vidinha tão normal quanto a de milhares de outros por aí consegue manter um blog. Prá quê? Vejo algumas vantagens, vou falar da que considero como primeira: hoje temos muito pouco tempo para conversas ao pé do fogão, ou à mesa de jantar. A família mal se reúne nos fins de semana – todos estão ocupados com suas tarefas, e quase não têm tempo para conversar. No passado não havia computadores, internet que nos roubassem tanto da disponibilidade prá conversas, então conversávamos com nossos pais e, com alguma sorte, com nossos avós. De nossos bisavós pouco sabíamos e, quando sabíamos era através de pais e avós, o que era uma grande limitação.

De bisavós somente conheci uma das minhas, do lado paterno. O que sei dela? Muito pequena ainda a conheci, talvez contasse com sete ou oito anos de idade, mais ou menos em 1962 ... Ela morava em Oliveira, MG, cidade natal de meu pai e talvez, dela também. Vovó Cocota, como a chamávamos, (Augusta, seria este seu nome?) era uma senhorinha bem baixinha. Lembro-me disto porque era quase do meu tamanho... Quando a conheci parecia já estar doente. Nem sei como morreu... Sei que, quando estava a chegar a época do Natal ela montava um presépio tão bonito que a cidade inteira ia ver! Confeccionava todos os personagens com uma massa feita de papel de jornal, me explicara meu pai, e que depois vim a conhecer como “papier marché”. Havia o estábulo com burrinhos, ovelhas, cavalinhos... Havia a manjedoura onde estavam as imagens da Nsa.Sra., S.José e o menino Jesus. Os reis magos montados em cavalos no caminho para a visita... Havia rios, lagos, bois, vacas e bezerrinhos, cachorrinhos, pescadores, crianças brincando... Nos laguinhos havia peixinhos e havia também montanhas, plantas... Ficava exposto sobre uma grande mesa numa das salas da casa, e as pessoas iam apreciá-lo. Eu olhava, maravilhada, querendo pegar um dos “bonequinhos” prá brincar com eles, tão bonitinhos... Mas éramos crianças bem comportadas, e crianças bem comportadas não mexem no presépio da vovó. Só olhávamos e nos perdíamos no meio dos bichinhos, nos caminhos, nos cavalinhos. Um ou dois anos depois ela já tinha morrido, e com ela toda sua história, que nunca me pôde contar, e os presépios de jornal.

Isto foi o que ficou da vovó Cocota na minha lembrança. Pode ser que a imagem idealizada por mim seja muito romântica, talvez ela fosse uma velhinha bem antipática que não gostasse de criancinhas e jamais lhes ensinaria a técnica do papier marché, por mais que lhe implorassem. Mas na minha memória ficou a vózinha boazinha que fazia bonequinhos lindos e, tivesse tido oportunidade, teria me ensinado tudo sobre sua técnica... E esta foi a única bisavó que conheci pessoalmente. Das outras, pouco ouvi falar... Seriam senhorinhas tão interessantes como a minha vovó Cocota? Não sei... Teriam coisas prá me ensinar ou me contar? Com certeza, sim... Porém, jamais saberei.

Esta é a grande vantagem da nossa geração – posso escrever neste blog e, talvez um dia, meus bisnetos, tataranetos possam saber um pouquinho mais de mim... Pelo menos do que eu gostaria de contar prá eles... Talvez eles queiram saber de mim coisas que não escrevi, ou então, nem queiram saber que um dia tiveram ancestrais. Bom... aí já teremos que deixar pro destino... Afinal, nem tudo se pode colocar no papel!